
Waking Life, de Richard Linklater, é um filme que certamente não é fácil de se engolir completamente na primeira vez em que é assistido, pois sempre fica faltando algo, como num sonho nebuloso que nunca conseguimos nos lembrar totalmente. Mas mesmo assim, sabemos que fomos intimamente afetados por ele, e não seremos os mesmos nunca mais.
Waking Life foi filmado com atores reais, e posteriormente, através de uma técnica denominada rotoscopia, foi transformado em uma animação, o que fortalece ainda mais o aspecto onírico do filme. Essa técnica de animação foi também utilizada em um filme posterior de Richard Linklater, O Homem Duplo. A excelente trilha sonora meio tango, meio jazz, foi composta pelo grupo Tosca Tango Orchestra, que aparece tocando em uma trecho do filme.
A dificuldade de se absorver o filme não está na formulação do roteiro, o caso aqui não é exatamente o surrealismo. O enredo do filme é relativamente simples: um garoto que tem sonhos lúcidos deseja ter mais controle sobre essa situação. Mas o que realmente preenche o filme até transbordar de significados são os diálogos em que o garoto se mete em seus sonhos. Encontra personagens discutindo temas pesados como existencialismo, física moderna, realidade e representação, política situacionista e crítica ao capital, sincronismos, vida após a morte, e é claro, os próprios sonhos. Já ouvi pessoas comentando que Waking Life não se trata de um filme, mas de um tratado de filosofia. Talvez tenham razão..
Esse link faz uma análise muito interessante das idéias que tecem o filme, a partir das fontes de onde o diretor bebeu: pensadores como Sartre, Kierkagaard, Nietzsche, Jung, Timothy Leary, Philip K Dick, Guy Debord, Santo Agostinho, Platão e diversos outros. Mas antes de ler, assistam o filme!