
Waking Life, de Richard Linklater, é um filme que certamente não é fácil de se engolir completamente na primeira vez em que é assistido, pois sempre fica faltando algo, como num sonho nebuloso que nunca conseguimos nos lembrar totalmente. Mas mesmo assim, sabemos que fomos intimamente afetados por ele, e não seremos os mesmos nunca mais.
Waking Life foi filmado com atores reais, e posteriormente, através de uma técnica denominada rotoscopia, foi transformado em uma animação, o que fortalece ainda mais o aspecto onírico do filme. Essa técnica de animação foi também utilizada em um filme posterior de Richard Linklater, O Homem Duplo. A excelente trilha sonora meio tango, meio jazz, foi composta pelo grupo Tosca Tango Orchestra, que aparece tocando em uma trecho do filme.
A dificuldade de se absorver o filme não está na formulação do roteiro, o caso aqui não é exatamente o surrealismo. O enredo do filme é relativamente simples: um garoto que tem sonhos lúcidos deseja ter mais controle sobre essa situação. Mas o que realmente preenche o filme até transbordar de significados são os diálogos em que o garoto se mete em seus sonhos. Encontra personagens discutindo temas pesados como existencialismo, física moderna, realidade e representação, política situacionista e crítica ao capital, sincronismos, vida após a morte, e é claro, os próprios sonhos. Já ouvi pessoas comentando que Waking Life não se trata de um filme, mas de um tratado de filosofia. Talvez tenham razão..
Esse link faz uma análise muito interessante das idéias que tecem o filme, a partir das fontes de onde o diretor bebeu: pensadores como Sartre, Kierkagaard, Nietzsche, Jung, Timothy Leary, Philip K Dick, Guy Debord, Santo Agostinho, Platão e diversos outros. Mas antes de ler, assistam o filme!







s. Isso é ressaltado ao longo do filme, com a repetição do seguinte monólogo de Max:
urar alto por trás da bolsa de valores. A princípio ele nega o dinheiro que lhe foi oferecido, afirmando que suas pesquisas não são motivadas pelo dinheiro, mas sim pela curiosidade científica. Mas o processador valvulado de Max queima ao calcular pela primeira vez a sequência de 216 números que definiria o comportamento do número Pi, o que faz com que o matemático acabe por aceitar um acordo com os investidores, onde ele teria que fornecer seus resultados e em troca receberia um poderoso microprocessador de Silício.
Pi é o valor da razão entre o comprimento da circunferência e o seu diâmetro. Também é uma das mais antigas constantes matemáticas conhecidas (fala-se do Pi em relatos feitos pelos antigos gregos, há mais de dois mil anos). Um círculo é, provavelmente, a forma geométrica mais perfeita e simples conhecida pelo ser humano. Como o Pi não é uma fração, não existe uma forma de descobrir seu valor exato. Na escola, aprendemos apenas que Pi é igual a 3,14 – e já basta para os cálculos das aulas de matemática e física. Já em cálculos científicos, usam-se mais dois números após a vírgula: 3,1416.